Na sessão de 13 de agosto d'aquelle anno foi discutido o parecer da primeira commissão de verificação de poderes acceitando a renuncia do logar de deputado, para o qual Alexandre Herculano havia sido eleito pelo circulo 26, sem que chegasse a tomar assento na camara.

O sr. Pegádo propoz a seguinte substituição ao parecer da commissão:

«A camara, considerando que a renuncia pedida pelo sr. deputado Alexandre Herculano não está exacta e rigorosamente no caso da lei, convida-o a acceitar o logar de deputado.»

Entendia o sr. Pegádo que Alexandre Herculano, tendo expendido pela imprensa as razões da sua renuncia, não julgaria logico mudar da opinião, mas que a camara podia tiral-o da posição melindrosa em que se achava, convidando-o a ir occupar o seu logar no parlamento.

Por parte da commissão, o sr. Mello Soares disse que se o sr. Pegádo tinha em mente fazer o elogio de Alexandre Herculano, a camara estava de accordo com as suas palavras, porque o sr. Alexandre Herculano faz{35} uma época ao paiz, pelo menos uma época litteraria; mas a questão era outra, havia uma lei a cumprir e uma vontade a respeitar.

A requerimento do sr. Coelho do Amaral, julgou-se a materia discutida, e o parecer foi approvado.

Os animos generosos e fidalgos saboreiam ás vezes com agreste voluptuosidade o sentimento da resistencia obstinada ás correntes sociaes que em sentido contrario ás suas tendencias os solicitam.

Foi o que aconteceu a Alexandre Herculano. Elle cristallisára no seu aborrecimento pelo mundo politico, pelo scenario avariado do parlamento, onde se reconhecêra inferior aos outros, talvez mesmo a si proprio.

El-rei D. Pedro V, amigo particular do grande historiador, quiz fazer-lhe mais uma distincção nobiliaria do que dar-lhe um premio politico: nomeou-o par do reino. Transcrevemos o diploma official da nomeação, que foi publicado no Diario do Governo:

Ministerio dos negocios do reino