1876

«O cónego Dias era muito conhecido em Leiria. Era um homem redondo e baixo, com um ventre saliente que lhe enchia a batina, as pernas curtas e esguias, uma cabecinha grisalha, as olheiras papudas, o beiço descaído e espêsso; e todo o seu aspecto fazia lembrar as vélhas anedotas de frades lascivos, enfartados de pecado.»


1889

«O cónego Dias era muito conhecido em Leiria. Ultimamente engordara, o ventre saliente enchia-lhe a batina, e a sua cabecinha grisalha, as olheiras papudas, o beiço espêsso faziam lembrar vélhas anedotas de frades lascivos e glotões.»


Todo o livro passou por estas sucessivas transformações. Êste contínuo e trabalhoso labor de aperfeiçoar, de burilar a prosa, sempre em ascendência e sempre insaciado deu como resultante essa prosa fina que nós conhecemos pela prosa do Eça.

Na 1.ª edição João Eduardo não ataca os padres. Fala-se, é certo, num comunicado acusando o cónego Campos, mas isso muito vagamente. João Eduardo não conhece ainda Agostinho Pinheiro, o redactor da Voz do Distrito, que só aparece em 1876, e sucumbe a maquinações urdidas por Natário, que vê nas insinuações dum jornal, que se refere a um padre e à flor de certo canteiro, obra sua.

Não há mesmo no rompimento entre João Eduardo e Amélia referência a artigos ou jornais. O dr. Godinho chama-se então dr. Silves. O Dr. Gouveia só aparece na 2.ª edição. Não consultado por João Eduardo sôbre moral, mas chamado à Cortegassa a ver D. Josefa, dando por essa ocasião conselhos a Amélia. Já tem aquela independência, e aquele modo de pensar, que depois lhe conhecemos.