"Grandes historias tenho ouvido do que se passou certa noite n'este castello: ereis vós pequenino, e eu ainda não era nado. Os porquês d'estas historias, isso Deus é que o sabe."
"Pois dir-t'os-hei eu agora. Chega-te para cá, Brearte."
O pagem olhou de roda de si quasi sem o querer, e chegou-se para seu amo: era a obediencia, e ainda mais um certo arripio de medo, que o fazia chegar.
"Vês tu, Brearte, aquella fresta entaipada? Foi por alli que minha mãe fugiu. Como e porquê, aposto que já t'o hão contado?"
"Senhor, sim! Levou vossa irman comsigo…"
"Responder só ao que pergunto! Sei isso. Agora cal-te."
O pagem poz os olhos no chão, de vergonha; que era humildoso e de boa raça.
2
E o cavalleiro começou o seu narrar:
"Desde aquelle dia maldicto meu pae poz-se a scismar: e scismava e amesquinhava-se, perguntando a todos os monteiros velhos se porventura tinham lembrança de haverem no seu tempo encontrado nas brenhas alguns medos ou feiticeiras. Aqui foi um não acabar de historias de bruxas e de almas penadas.