Todas estas informações sobre a Linda foram colhidas{40} por Antonino de Bizeux dia a dia, d'este e d'aquelle, affectando indifferença, mas sentindo na realidade um interesse e emoção de que elle não se apercebia, e temendo e desejando ao mesmo tempo que lhe apontassem qualquer nodoa no passado da diva, porque n'esse caso Laura passaria a ser menos perigosa para elle.{41}

[IV
O dia seguinte]

Era quasi meio dia.

Laura acabára de se levantar, e recostara-se languida e como magoada ainda, sobre o canapé do seu salão, remexendo, distrahidamente, n'um montão de cartas e de folhas rasgadas de carteiras, que cobriam o marmore d'um velador.

Por entre os nomes do que vulgarmente se chama todo Paris, procurava um que não encontrava, e lia com indefferencia as palavras escriptas a lapis sobre os papeis que folheava.

Entretanto um bilhete houve que lhe prendeu a attenção por mais tempo.{42}

Era de Pozzoli.

Dizia o antigo emprezario de Laura:

«Morreu a Opera, viva o theatro dos Italianos! Pozzoli irá ámanhã a casa da distinctissima diva, levando um contracto em branco á sua ex e futura escripturada».

Ao ver o cartão de Lauretto Mina, a Linda franziu as sobrancelhas.