O emprezario do theatro dos Italianos era um homem de mãos largas, dedos massiços, cabello grosso e espetado, barba em leque, olhos redondos, nariz recurvo como o bico d'um abutre, bocca grande, de labios grossos, libidiminosos.

Á primeira vista representava o typo completo da força bruta e dos appetites sensuaes.

Melhor examinado, porém, notavam-se-lhe extraordinarios ridiculos.

Macaqueava com as mulheres, n'uns gestos afectados, como o tenor Lauretto Mina. Fallava sempre com os labios quasi cerrados, e quando pronunciava uma d'essas phrases equivocas, que as mulheres de que habitualmente se rodeava achavam deliciosas, soltava gargalhadas imprevistas casquinhando mechanicamente, para mostrar dentes magnificos... mas postiços.

D'ordinario pintava o cabello e a barba, e nas soirées apparecia sempre com carmim nas faces e as sobrancelhas alongadas e carregadas por uma pincelada negra.

Tal era Pozzoli.

O emprezario desagradou soberanamente a Antonino, que tambem não sympathisou com Lauretto Mina, cujos gestos afeminados e maneiras pretenciosas faziam um absoluto contraste com os modos viris e simples do gentilhomem bretão.{66}

Depois de trocados os cumprimentos e feitas as apresentações, os excursionistas puzeram-se a caminho para a floresta, precedidos d'um carro do pavilhão Henrique IV, que transportava o almoço.

—Não vejo Remissy, disse Laura. Entretanto elle deu-me a sua palavra de que não faltaria.

—Elle virá, replicou o dr., mas provavelmente quando menos se esperar, porque aquelle demonio tem grande tendencia para as surpresas.