Interrogava-o sobre as viagens e estudos que elle{93} tinha feito, pedia-lhe a opinião sobre as coisas e sobre os homens, escutando-o sempre com approvação e deferencia, como um irmão mais novo escuta o irmão mais velho.
Nas palestras que tinham, cada vez mais intimas, nunca Laura deixou entrever a menor parcella de galanteio ou de vaidade.
A mulher occultava-se, chegava mesmo a desapparecer, para só ficar a amiga.
Laura percebia que com a sua encantadora simplicidade e graciosa modestia, ia contra o fim que tinha em vista, porque um homem com o caracter d'Antonino, em vez de se affastar, approxima-se cada vez mais da mulher que faz d'elle confidente da sua alma ingenua e sincera.
E effectivamente o visconde estava cada vez mais apaixonado.
Nem já conhecia o grau a que se tinha elevado a sua paixão.
Ao principio calculava o amor que sentira pela cantora, pelo ciume que experimentava.
Inquietava-se por ver com Laura os amigos intimos, como que os inseparaveis da Linda. De resto, o numero d'esses amigos era limitadissimo.
Tres ou quatro, contando com Despujolles, e Antonino conhecia-os a todos antes de ter relações fraternaes com a cantora.{94}
Quando os encontrou pela primeira vez em casa de Laura, tranquillisou-se. A Linda fallou-lhe d'elles com um socego e uma serenidade que não deixou no espirito do visconde a menor sombra de suspeita.