Antes da batalha de Pharsalia, Cezar, no meio d'uma região dedicada ao seu rival, estava n'uma situação muito critica. Pompeu, cujo exercito estava bem munido e fornecido pela sua frota, resolvera reduzir á fome o seu inimigo. A perda de Cezar parecia certa, quando Pompeu, cedendo á impaciencia dos seus soldados, travou peleja com os velhos legionarios das Gallias, que bem podiam ser destruidos pela fome, mas que não podiam deixar-se vencer.—«Soldado, fere no rosto!» tinha gritado Cezar aos seus veteranos, vendo os brilhantes cavalleiros do exercito de Pompeu. Estes jovens patricios, espantados, pozeram-se em fuga para não serem desfigurados pelas lanças dos legionarios, e Cezar ficou senhor do campo de batalha.

A implacavel phrase de Cezar não encontra applicação alguma em circumstancias analogas, e emprega-se a respeito d'um adversario de que se quer tocar a fibra sensivel, que se deseja ferir á falta de couraça.

6.º—Cheguei, vi e venci.

Apoz a morte de Pompeu e a conquista do Egypto, e em quanto Cezar se engolfava no seio dos prazeres que lhe offerecia Cleopetra, o partido de Pompeu, mais disperso que destruido, erguia-se por toda a parte. Pharnacio, rei do Ponto, aproveitára a guerra civil para tentar reunir na Asia as antigas possessões de seu pae. Despertado pelo perigo, Cezar corre ao Bosphoro, esmaga o filho de Mithridates e termina essa guerra com uma tal rapidez, que pôde contal-a inteira n'estas tres palavras celebres, que elle dirigiu ao senado:

Veni, vidi, vici; cheguei, vi, venci!

—Faz-se uso da phrase para exprimir a facilidade, a promptidão com que se executa uma empreza.

Lembra-nos a proposito o seguinte caso analogo. Depois da sua victoria sobre os turcos, Sobieski enviou ao Papa o estandarte de Mahomet, com estas palavras de Cezar a que deu um caracter de modestia christã:—«Cheguei, vi e Deus venceu!»

7.º—Idos de Março.