O INFANTE NAVEGADOR

I

.... se a natureza lhe negára a Corôa, as virtudes lhe deram justiça para a merecer.

CANDIDO LUSITANO—Vida do Infante D. Henrique.

1

Espirito sublime e alevantado,
Cheio de crenças, coração formoso,
Olhar d'águia, profundo e dilatado,
Fictando o sol ardente, corajoso,
Sondando o mar, que adora apaixonado,
E em que sonha o seu poema grandioso,
Deixou seu nome vinculado á Gloria,
Escripto em bronze, pela mão da Historia.

2

—Navegador!—Assim o baptisára
A fama das conquistas mais brilhantes;
Já, dominando o mar, na audacia rara,
Para o cortar de estradas rutilantes,
Já, implantando a Fé na gente ignára,
Em paragens ignotas e distantes,
Não, porque da ambição fosse vil presa,
Mas para dar á Fé maior grandeza!

3

Varão de largo estudo e são talento,
Em vez de braço inerte na indolencia,
Nos prazeres da côrte, e luzimento
D'uma banal e inutil existencia;
Em vez dos galanteios de momento,
Que passam, como as nuvens d'uma essencia,
Votou a vida, desde a florea edade,
Ao trabalho, com honra e lealdade.

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