—Arrependo-me de ter sido exacta. E prudente, Christina, que te não obstines em aggravar o acaecido. Não remediarás o mal, não é assim? Pois, coração à larga. Narciso foi. Eu o vi. Medi-lhe as acções. Acompanhei-o por toda a parte. E, nem sequer, elle maldou de que uma pierrot o acompanhasse. Se tu lhe falas, teràs de dizer-lhe quem foi espionar-lhe os passos de homem livre...

—É o que te parece: livre?...

—Pois não é livre Narciso?

—Digo-te que não!

—O teu noivo não tem a liberdade commum a todos os homens do mesmo estado?{169}

—Repito-te que não.

—Pois, minha amiga, para o meu sentir, todos os noivos, longe das vistas da mulher amada, ficam sendo o que são: homens solteiros...

—Narciso differe dos outros...

—Uffa!... Christina!... Vou tirando o pierrot que me acalora as carnes...

—O noivado é um começo de intimidades, que se distendem, mais ou menos, conforme as razões de ser do amor vigiado. Naquelle avarandado semi-escuro, onde passamos todas as noites, por isso mesmo que estamos assegurados na nossa posição, com a possivel presença immediata de todos os de caza, as nossas intimidades seguem uma derrota que me dá o direito de exigir de Narciso maiores fidelidades do que tu pensas...