Ai! assim Deus quizesse ajudal-a!...

Ás duas da tarde, Leonie, por sua propria mão, servio ás visitas um pequeno lunch de foie-gras, presunto e queijo, acompanhado de champanha, gelo e agoa de Seltz; e, sem se descuidar um instante da rapariga, tinha para ella extremas solicitudes de namorado: levava-lhe a comida á boca, bebia do seu copo, apertava-lhe os dedos por debaixo da mesa.

Depois da refeição, Dona Isabel, que não estava habituada a tomar vinho, sentio vontade de descansar o corpo; Leonie franqueou-lhe um bom quarto, com boa cama, e, mal percebeu que a velha dormia, fechou a porta pelo lado de fóra, para melhor ficar em liberdade com a pequena.

Bem! Agora estavam perfeitamente a sós!

—Vem cá, minha flôr!... disse-lhe, puxando-a contra si e deixando-se cahir sobre um divan. Sabes? Eu te quero cada vez mais!... Estou louca por ti!

E devorava-a de beijos violentos, repetidos, quentes, que suffocavam a menina, enchendo-a de espanto e de um instinctivo temor, cuja origem a pobrezinha, na sua simplicidade, não podia saber qual era.

A cocote percebeu o seu enleio e ergueu-se, sem largar-lhe a mão.

—Descansemos nós tambem um pouco... propôz, arrastando-a para a alcova.

Pombinha assentou-se, constrangida, no rebordo da cama e, toda perplexa, com vontade de affastar-se, mas sem animo de protestar, por acanhamento, tentou reatar o fio da conversa, que ellas sustentavam um pouco antes, á meza, em presença de Dona Isabel. Leonie fingia prestar-lhe attenção e nada mais fazia do que affagar-lhe a cintura, as coxas e o collo. Depois, como que distrahidamente, começou a desabotoar-lhe o corpinho do vestido.

—Não! Para que?... Não quero despir-me...