—Como soubeste?

—Disse-me o Pataca.

—Ora ahi está o que é! exclamou o capoeira, soltando um murro na meza.

—Que é o que? interrogou o outro.

—Nada! É cá comigo. Toma alguma coisa?

Veio novo copo, e Firmo resmungou no fim de uma pausa:

—É! não ha duvida! Por isto é que a perua ultimamente me anda de vento mudado!...

E um ciume doido, um desespero feroz rebentou-lhe por dentro e cresceu logo como a sede de um ferido. «Oh! precisava vingar-se d'ella! d'ella e d'elle! O amaldiçoado resistio á primeira, mas não lhe escaparia da segunda!»

—Veja mais um martello de paraty! gritou para o portuguezinho da espelunca. E acrescentou, batendo com toda a força o seu petropolis no chão:—E não passa de hoje mesmo!

Com o chapéo á ré, a gaforina mais assanhada que de costume, os olhos vermelhos, a boca espumando pelos cantos, todo elle respirava uma febre de vingança e de odio.