—Olha! disse ao companheiro de meza. D'isto, nem pio lá com os carapicús! Se abrires o bico dou-te cabo da pelle! Já me conheces!

—Tenho nada que fallar! Pr'a que?

—Bom!

E ficaram ainda a beber.

Jeronymo, com effeito, tivera alta e tornára aquelle domingo ao cortiço, pela primeira vez depois da doença. Vinha magro, pallido, desfigurado, apoiando-se a um pedaço de bambú. Crescêra-lhe a barba e o cabello, que elle não queria cortar sem ter cumprido certo juramento feito aos seus brios. A mulher fôra buscal-o ao hospital e caminhava ao seu lado, igualmente abatida com a molestia do marido e com as causas que a determinaram. Os companheiros receberam-no compungidos, tomados de uma tristeza respeitosa; um silencio fez-se em torno do convalescente; ninguem fallava senão a meia voz; a Rita Bahiana tinha os olhos arrazados d'agoa.

Piedade levou o seu homem para o quarto.

—Queres tomar um caldinho? perguntou-lhe. Creio que ainda não estás de todo prompto...

—Estou! contrapôz elle. Diz o doutor que preciso é de andar, para ir chamando força ás pernas. Tambem estive tanto tempo preso á cama! Só de uma semana p'ra cá é que encostei os pés no chão!

Deu alguns passos na sua pequena sala e disse depois, tornando junto da mulher:—O que me saberia bem agora era uma chicrinha de café, mas queria-o bom como o faz a Rita... Olha! pede-lhe que o arranje.

Piedade soltou um suspiro e sahio vagarosamente, para ir pedir o obsequio á mulata. Aquella preferencia pelo café da outra doía-lhe duro que nem uma infidelidade.