—É mesmo. Desde que estou com seu Bento não tenho sahido quasi.

—Ah! disse o Pataca, estas amigada? Bom!...

—Sempre estive!

E ella então, muito expansiva com a sua folga d'aquelle domingo e com o seu bocado de cerveja, contou que, no dia em que fugio da estalagem, ficou na rua e dormio n'umas obras de uma casa em construcção na travessa da Passagem, e que no seguinte, offerecendo-se de porta em porta, para alugar-se de criada ou de ama secca, encontrou um velho solteiro e agebado que a tomou ao seu serviço e metteu-se com ella.

—Bom! muito bom! annuio Pataca.

Mas o diabo do velho era um safado; dava-lhe muita coisa, dinheiro até, trazia-a sempre limpa e de barriga cheia; sim senhor! mas queria que ella se prestasse a tudo! Brigaram. E, como o vendeiro da esquina estava sempre a chamal-a para casa, um bello dia arribou, levando o que apanhára ao velho.

—Estás então agora com o da venda?

Não! O tratante, a pretexto de que desconfiava d'ella com o Bento marceneiro, pôl-a na rua, chamando a si o que a pobre de Christo trouxéra da casa do outro e deixando-a só com a roupa do corpo e ainda por cima doente por causa de um aborto que tivera logo que se mettêra com semelhante peste. O Bento tomára-a então á sua conta, e ella, graças a Deus, por em quanto não tinha razões de queixa.

O Pataca olhou em torno de si com o ar de quem procura alguem, e Florinda, suppondo que se tratava do seu homem, accrescentou:

—Não está cá, está lá dentro. Elle, quando joga, não gosta que eu fique perto; diz que encabula.