—Ella ha de querer comprar a liberdade...

—Pois que a compre, se o dono consentir!... Você com isso nada mais tem que ver! E se ella voltar á sua procura, despache-a logo; se insistir, vá então á autoridade e queixe-se! Ah, meu caro, estas coisas, para ser bem feitas, fazem-se assim ou não se fazem! Olhe que aquelle modo com que ella lhe fallou ha pouco é o bastante para você ver que semelhante estupor não lhe convém dentro de casa nem mais um instante! Digo-lhe até: já não só pelo facto do casamento, mas por tudo! Não seja molle!

João Romão escutava, caminhando calado, sem mais vislumbres de agitação. Tinham chegado á praia.

—Você quer encarregar-se d'isto? propoz elle ao companheiro, parando ambos á espera do bonde; se quizer, póde tratar, que lhe darei uma gratificação menos má...

—De quanto?...

—Cem mil reis!

—Não! dobre!

—Terá os duzentos!

—Está dito! Eu cá, para tudo que fôr pôr cobro a relachamentos de negro, estou sempre prompto!

—Pois então logo mais á tarde lhe darei, ao certo, o nome do dono, o logar em que elle residia quando ella veio para mim e o mais que encontrar a respeito.