—Talvez só venham depois do jantar, tornou aquelle, assentando-se á carteira.

Um caixeiro approximou-se d'elle respeitosamente e fez-lhe varias perguntas relativas ao serviço do armazem, ao que João Romão respondia por monosyllabos de capitalista; interrogou-o por sua vez e, como não havia novidade, tomou Botelho pelo braço e convidou-o a sahir.

—Fique para jantar. São quatro e meia, segredou-lhe na escada.

Já não era preciso prevenir lá defronte, porque agora o velho parazita comia muitas vezes em casa do visinho.

O jantar correu frio e contrafeito; os dois sentiam-se ligeiramente dominados por um vago sobresalto. João Romão foi pouco além da sôpa e quiz logo a sobremeza.

Tomavam café, quando um empregado subio para dizer que lá em baixo estava um senhor, acompanhado de duas praças, e que desejava fallar ao dono da casa.

—Vou já! respondeu este.

E accrescentou para o Botelho:—São elles!

—Deve ser, confirmou o velho.

—E desceram logo.