—Quem me procura?... exclamou João Romão com disfarce, chegando ao armazem.

Um homem alto, com ar de estroina, adiantou-se e entregou-lhe uma folha de papel.

João Romão, um pouco tremulo, abrio-a defronte dos olhos e leu-a demoradamente. Um silencio formou-se em torno d'elle; os caixeiros pararam em meio do serviço, intimidados por aquella scena em que entrava a policia.

—Está aqui com effeito ... disse afinal o negociante. Pensei que fosse livre...

—É minha escrava, affirmou o outro. Quer entregar-m'a?...

—Mas immediatamente.

—Onde está ella?

—Deve estar lá dentro. Tenha a bondade de entrar...

O sujeito fez signal aos dois urbanos, que o acompanharam logo, e encaminharam-se todos para o interior da casa. Botelho, á frente delles, ensinava-lhes o caminho. João Romão ia atraz, pallido, com as mãos crusadas nas costas.

Atravessaram o armazem, depois um pequeno corredor que dava para um pateo calçado, e chegaram finalmente á cozinha. Bertoleza, que havia já feito subir o jantar dos caixeiros, estava de cocaras no chão, escamando peixe, para a ceia do seu homem, quando vio parar defronte d'ella aquelle grupo sinistro.