—Toda esta parte que se segue agora, declarou João Romão ainda não é minha.

E continuaram a andar para diante.

D'este lado multiplicavam-se as barraquinhas; os macaqueiros trabalhavam á sombra d'ellas, indifferentes áquelles dois. Viam-se panellas ao fogo, sobre quatro pedras, ao ar livre, e rapazitos tratando do jantar dos paes. De mulher nem signal. De vez em quando, na penumbra de um ensombro de lona, dava-se com um grupo de homens, comendo de cocaras defronte uns dos outros, uma sardinha na mão esquerda, um pão na direita, ao lado de uma garrafa d'agua.

—Sempre o mesmo serviço mal feito e mal dirigido!... resmungou o cavouqueiro.

Entretanto, a mesma actividade parecia reinar por toda a parte. Mas, lá no fim, debaixo dos bambus que marcavam o limite da pedreira, alguns trabalhadores dormiam á sombra, de papo para o ar, a barba espetando para o alto, o pescoço entumecido de cordoveias grossas como enxarcias de navio, a bocca aberta, a respiração forte e tranquilla de animal sadio, n'um feliz e plethorico resfolgar de besta cansada.

—Que relaxamento! resmungou de novo o cavouqueiro. Tudo isto está a reclamar um homem tezo que olhe a sério para o serviço!

—Eu nada tenho que ver com este lado! observou Romão.

—Mas lá da sua banda hão de fazer o mesmo! Olaré!

—Abusam, porque tenho de olhar pelo negocio lá fora...

—Commigo aqui é que elles não fariam cera. Isso juro eu! Entendo que o empregado deve ser bem pago, ter para a sua comida á farta, o seu gole de vinho, mas que deve fazer serviço que se veja, ou, então, rua! Rua, que não falta por ahi quem queira ganhar dinheiro! Auctorise-me a olhar por elles e verá!