—Não digas asnices, filha!
—Ah! eu bem sei o que isto é!...
—É bobagem tua, é o que é!
—Maldita hora em que viemos dar ao raio d'esta estalagem! Antes me tivéra cahido um calháo na cabeça!
—Estás a queixar-te da sorte sem razão! Que Deus te não castigue!
Esta resinga chamou outras que, com o correr do tempo, se foram amiudando. Ah! já não havia duvida que mestre Jeronymo andava meio cahido para o lado da Rita Bahiana; não passava pelo numero 9, sempre que vinha á estalagem durante o dia, que não parasse á porta um instante, para perguntar-lhe pela «saúdinha». O facto de haver a mulata lhe offerecido o remedio, quando elle esteve incommodado, foi pretexto para lhe fazer presentes amaveis, pôr os seus prestimos á disposição d'ella e obsequial-a em extremo todas as vezes que a visitava. Tinha sempre qualquer coisa para saber da sua boca, a respeito da Leocadia, por exemplo; pois, desde que a Rita se arvorara em protectora da mulher do ferreiro, Jeronymo affectava grande interesse pela «pobrezinha de Christo.»
—Fez bem, 'nhá Rita, fez bem!... A se'ora mostrou com isso que tem bom coração...
—Ah, meu amigo, n'este mundo hoje por mim, amanhã por ti!...
Rita havia aboletado a amiga, a principio em casa de umas engommadeiras do Catette, muito suas camaradas; depois passou-a para uma familia, a quem Leocadia se alugou como ama secca; e agora sabia que ella acabava de descobrir um bom arranjo n'um collegio de meninas.
—Muito bem! muito bem! applaudia Jeronymo.