Sois o sonho de mim ao collo da Alegria!
Vossa presença põe o medo em meu destino.

As taças que entornais do aroma sibillino da seducção, de tédio enchem o que me déste, ó Deus! Gela meu ser ao sorriso terrest'e das virgens, que reflecte a tarde a rescender do olor de Pan! … E o olhar dóe por no o esconder do ceo; pois para toda a alma dormir, do bello, o serafico azul é como um pezadêlo!

Porêm como fugir ao sonho que me faz como estrangeiro em mim; do bello azul, voraz a bôca triste, sem côr e de humanas dôres— como se triunfal e de palidas flôres da noite, fôssem de um sonho, na hora escultado?

Captivo em mim sou como o dragão que, inviolado, bebe a scintillação da s'nora claridade do cabello sinistro, onde a luz arde e invade de metalico hallor o nixo onde se acoite…

Vossos cabellos ai! chovem como oiro, á noite! como fios de horror da teia do mistério…

Do cabello, o esplendor do oiro esteril, é aério c'mo de arachnideo sonho ou de siderio tecto cinzelado no olhar—um reflexo de insecto— no frio vôo num ar de somno e oiro e luto…

Avalanches de tédio em seu cabello escuto!…

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Fixo a carne, spectral, como ante inerte frizo de sombras, a nudez, linha esquecida em riso sobre chammas, cruel,—Joia dos calafrios!— Um horror de ónix néva entre os meus dedos frios!

Contemplo o meu destino em mim.
Ninfas, adeus!
Meus gestos irreaes tem seculos de Deus!
Na paisagem do ser corre um rio sem fim:
Os meus gestos são como a outra margem de mim…
Cai alma no jardim dos meus sonhos funestos.
É sempre noite lá no fundo dos meus gestos
onde espreita Deus: ha luar nas minhas mãos…
As mãos abanam no ar os nossos gestos vãos,
—mundos de sonolencia ardendo em reliquarios:
Joias celestes, vós, meus gestos solitarios!