E se Ha de Amor, algum Amor Eleito,
Aquella Tambem Fui, que Ninguem Fôsse,
Que, n'um Mysterio, como o Inferno, Doce,
Amei a Minha Filha, no seu Leito…
Sim, se Ha de Amor algum Amor Eleito,
Minhas Irmãs, Cingi-me ao Vosso Peito
E Ouvi-Me esta Memoria Dolorosa…
Já Fui Aquella que Perdeu a Esp'rança,
E Errou Espasma Noutes sem Termino,
Entre a Treva das Selvas Pavorosa,
Anxe em busca de Amantes do Destino…
—E A que Lembrou os Tempos de Creança!…
—E já Fui como a Sombra da Saudade
Amando a Lua, pela Immensidade!
—Oh Noute! em Teu Amor, Silenciosa!
—Oh Estrellas, na Noute, Scintillantes
Como Ideaes e Virginaes Amantes!
—Oh Memoria de Amor, Religiosa!…
*NEITHA-KRI*
Ó Noute Immensa pela Immensidão!
Recebe em Ti a minha Confissão.
Eu Nunca disse ao Verdadeiro, Não!
Nem devoro em Remorso o Coração!…
Sou a Grande Rainha Neitha-Kri…
Sou Devota da Noute Pensadora…
E Neith é grande, pelos Ceus Senhora…
E Eu, Sua Filha, Sou Nofrei-Ari!…
Meu Irmão era o Rei Mentha-Suf'reh!…
—E Morreu Enlevado em Sonho Ideal
D'um Phyltro que Eu lhe dei para tomar!…
—Mentha-Suf'reh não Conheceu o Mal
—E o Destino Elegeu-me p'ra Reinar
Sobre os Milagres do Paiz d'Esneh!…