Depois, conforme este seja, grande ou pequeno, isto é, marido rico ou pobre, terá então que adaptar a trouxe-mouxe as suas qualidades assimiladoras e resignar-se ao trabalho ou pavonear-se soberbamente no luxo e na inactividade.
Para tudo está preparada, não estando habilitada para coisa alguma.
A rapariga portuguêsa é, em resumo, uma criatura encantadora, que veste com garridice, que passeia nas horas de musica, que vai ás praias, aos theatros e ás reuniões, que ás vezes lê os folhetins dos jornaes e tem ataques de nervos, de quem os rapazes desdenham e troçam—mas que, por fim, virão a ser as suas mulheres.
Quantas não têm o desejo de se tornar uteis, de ganhar para os seus alfinetes, de terem uma ocupação que as enobreça aos seus proprios olhos e as habilite a serem mais tarde livres pelo seu trabalho?!
Mas, entorpecidas pela educação, deprimidas pelos estreitos habitos da vida portuguêsa, resignam-se a não serem mais do que as outras—umas eternas aspirantes ao casamento.
Inteligente e dedicada como é, em geral, a mulher portuguêsa, que grande e bella obra social não faria, quem a pudesse interessar pelas duas questões capitaes de que depende o resurgimento da nossa patria e o futuro da nossa raça:—o trabalho livre e remunerado para a mulher, a educação, fisica e intelectual, da mísera criança portuguêsa.
A MULHER DE HA TRINTA ANNOS E A MULHER DE HÔJE