Mas esta mulher tão cuidadosa e carinhosa não é, não pode ser, uma bôa mãe! Só o instincto a guia, e o homem de hôje é por tal fórma o producto de costumes e civilisações sobrepostas, que deixou ha muito de ser o animal de instinctos, segundo a natureza, para ser um producto de arte e de trabalho e de paciente cultura.

Educar uma criança de hôje, não é manda-la para a escola para que saiba lêr e escrever; é muito mais do que isso!

Ainda antes de nascer, já a criança deverá ser respeitada e amada, cohibindo-se a mãe de muita coisa que a póde prejudicar, cuidando do seu proprio somno, da sua alimentação, e da sua higiene, para que a delicada planta humana desabroche vigorosa e possa resistir e desenvolver-se propiciamente.

Conhecem, por acaso, a maior parte das mães, a responsabilidade duma gravidez?

Sabe a mulher que casou com a educação que descrevemos, que do conhecimento e da prática de simples noções de hygiene póde evitar aos seus filhos terriveis males, quasi todo o estendal das doenças infantis, que levam para a terra centenares de corpinhos inermes: desde a enterite, que faz das mais lindas creanças pequenos cadaveres ambulantes, até á atrepsía que, sob as côres rosadas da saude, disforma o esqueleto, dobrando as pernas em arco, dando ás criancitas o andar grotesco de marrequinhos fóra da agua?

A propria tisica, a escrofulose, a anemia, como as inúmeras nevróses que desvairam a raça humana, são quasi sempre evitaveis se uma vida infantil regular e higienica tonificar o organismo e o preparar com a resistencia precisa para o triumfo dos principios vitaes.

Partindo do cuidado, quasi só material, dos primeiros dois ou três annos, a missão da mãe redobra a cada passo de dificuldades e requer toda a inteligencia e a tenacidade duma grande obra.

É então que todos os desvelos serão poucos para vigiar a consciencia que vai despertando, e que é necessario começar cedo a ser educada e dirigida para o bem.

Não faltará quem se ria ouvindo falar em educação duma criança de três ou quatro annos; e, no entanto, nada mais sério e nada mais util do que saber aproveitar a franquêsa dessa idade, que ainda não sabe mentir, para conhecer na criança o homem ou a mulher que será no futuro. É a ocasião de poder aproveitar todas as qualidades de um caracter e até os seus defeitos, e convertê-los em virtudes, sem torcer a vontade nem o temperamento individual.

E a mãe, a pobre mãe, que é a mulher da qual descrevemos o casamento, começa então a sentir que o seu filho se lhe escapa dos braços, arredando-se-lhe do coração, alheando-se-lhe do espirito.