Ora a verdade é que ninguem está satisfeito, porque nunca se viu situação mais desoladora, vida mais atropelada e miseravel.
É o nosso paiz aquelle em que mais caro se come, se veste, se viaja, e se tem morada; e aquelle em que menos se ganha, salvo pequenas excepções, que é facil apontar. De dia para dia os generos de primeira necessidade duplicam e triplicam de custo.
Não ha nada, desde o pão até á luz, que se não compre por alto preço; nada que não custe ao pobre incomportaveis amarguras e suores.
É por isso que não ha paiz nenhum em que a tisica, a anemia e a escrofulose tenham mais lauto banquete.
Fez-se, é certo, uma liga contra a tuberculose, patrocinada pelos governos, auxiliada por contribuições obrigatorias na capital, reclamada pelas mil tubas sonoras do jornalismo palaciano.
Não houve penna de escriptor, consagrado pelas gazetas, que se não puzesse ao serviço da bôa causa; não houve paladino que não quizesse descer á liça a romper lanças pelo triumfo da ideia que, partindo modesta e util de baixo, serviu depois muito interesse, deu aso a muita turiferação.
E no fim de tanto afan, tanto barulho, tanto elogio, o que ganhou de positivo e imediato o povo português, na sua grande massa?!
—Come porventura mais barato?
—Tem casas higienicas, onde se abrigue por módicos preços?
—Tem hospitais para todos os seus doentes?