Estas tambem obedecem ao seu instincto, forçando a lei que nos dá, naturalmente, a seleção da especie.
E o que é o homem sem educação mais do que um animal de instinctos baixos, dotado de faculdades imitadoras para simular os gestos e a voz dos outros homens?!
A superioridade do ser humano não consiste em andar com a espinha direita e em poder erguer a cabeça para a luz, não! A sua superioridade está em comprehender a justiça e ter a consciencia do bem, coisas que sómente a educação póde incutir no espirito dos que não têm comsigo a bondade instinctiva dos doceis.
Condemnar sem defêsa nem atenuantes a mulher desprovída de recursos, exposta ao escarneo e ignominia da sociedade, quando abandona ou mata um filho, é impiedoso.
Se fosse uma criatura heroica poderia reparar o que se convencionou chamar falta, tirando do seu trabalho, miseravelmente pago, a sustentação do filho. Mas não é heroi quem o quer ser, e o egoismo individual é por vezes tão imperioso, que a criatura se ergue num desespero bruto de féra que quer viver, despedaçando tudo quanto lhe embaraça os movimentos e lhe pêa a satisfação das suas necessidades materiaes.
Sentimentos, afectos, inteligencia, tudo se obscurece e oblitéra perante as exigencias materiais da vida, que a sociedade, á força de querer melhorar, transformou em lucta sangrenta em que sucumbe a maior parte.
—É preciso castigar—dizem ainda os moralistas, na velha teoria inquisitorial e barbara—é preciso dar o exemplo, atemorisar...
Mas, para quê, perguntâmos?!... Se o acto criminoso depende da tára fisiologica que dispõe determinada criatura á loucura do crime, como tornar um doente responsavel pelo seu mal?
Se o delicto fôr determinado ocasionalmente, pelas condições especiais da existencia, o mal tem remedio, e deve remediar-se, acabando com os factôres que concorrem na sociedade para que tantas desgraçadas sofram o que essas pobres estão sofrendo agora.