—«O que é, Soror Manoela?!... Alguma novidade lá por baixo?

—«Não, Madre Angelica, a novidade é só minha... é uma coisa que eu pensei e que lhe venho participar...

E Manoela explanou, diante da pobre freira sobresaltada, o projéto, que tão simples se lhe afigurara.

—«A sua filha para aqui, Soror Manoela, pensou isso?!...—perguntou apavorada.

—« Sim, para aqui, então não hade sêr para aqui?!

—«Oh, meu Deus, meu Deus! Para que estou eu guardada, santo Deus?!—lamentava a Superiora.

—«Mas eu não compreendo o seu espanto, Madre Angelica! Então não sabia o motivo porque estou aqui ha dezoito anos? Não foi a Madre Angelica que me levou á obediencia{240} a minha mãe adiando até agora a realisação do meu desejo?!...

—«Sempre imaginei morrer antes de vêr esse escandalo!... Meu Deus, meu Deus! Então a minha filha quer dar a essas meninas o público espétáculo da sua antiga culpa?!... Quer sêr o riso e a fabula de toda a cidade?! O que dirão de nós?! Com tanta má vontade contra as casas religiosas, com tanta calúnia que se tem levantado, se Soror Manoela vai agora apresentar publicamente a sua filha, o que não dirão?!...

—«E que me importa tudo isso?!—não sou eu livre porventura?!

—«Oh, livre, livre!... Ninguem é livre de alardear os seus pecados—respondeu a freira, impacientada.