Manoela foi obrigada a proceder, advertida pela Madre Superiora, que a acusava, com a sua voz dôce, de falta de energia para com a filha.
—«Christina—dizia-lhe meigamente—para que me obriga a admoestá-la? Para que faz coisas... que não ficam bem a uma menina?...
—«Mas o que fiz eu, minha senhora? Foi algum crime subir ao telhado para tomar um pouco de ar, para fugir um instante desta sensaboria?!
—«Mas a Christina não está bem, não gosta de estar no convento?
—«Não, minha senhora, não gosto de estar nesta prisão.
—«Mas oiça: hade sahir, tenha paciencia um pouco. Isto não pode durar muito; são apenas duas as freiras que ainda existem, e quando ellas morrerem sahiremos ambas. Continuará aqui a sua educação; a Christina sabe tão pouco que mal se poderá apresentar no mundo, onde ha muita exigencia para as senhoras da nossa classe.
—«Ah, sim!? Conselhos, conselhos tenho ouvido muitos. Eu já tenho educação bastante, não preciso mais...{249}
—«Christina!?
—«Minha senhora!?
—«Então não está bem ao pé de mim?...—E querendo-a convencer, com a sua voz dum carinho maternal:—Não diga que não, que é sêr ingrata. Se soubesse como sou sua amiga!...