Quando o cortejo chegou a Coimbra deram-se então scenas comovedoras e lancinantes entre a população citadina. Todos á porfia queriam beijar o ataúde onde vinha a sua Protectora, a sua desvelada Bemfeitora, ouvindo-se choros de verdadeiro compungimento pela morte da virtuosa Rainha, cujo passado tinha sido um manancial de graças e bondade!
Quando o ataúde deu entrada na igreja de Santa Clara muita gente supôs que o corpo da Rainha Santa seria exposto à veneração do publico. Tal se não deu; no dia seguinte, 12 de Julho, é que se celebraram os oficios divinos por alma de D. Isabel, sendo estes actos revestidos de toda a solenidade e com a assistencia de alguns Prelados, Professores da Universidade, Rei, Cabido e muitos religiosos das diversas ordens.
Logo que eles terminaram, foi o ataúde transportado para uma capela que a Rainha Santa havia mandado edificar ao fundo da Igreja e na qual estava o tumulo de pedra que em sua vida também mandara construir (fig. 1).
Foi dentro dêste precioso moimento de pedra, ricamente cinzelado, que se colocou o ataúde tal qual veiu de Estremoz, envolvido numa pele de boi e com um pano de brocado repregado por cima.
Sobre o ataúde colocaram o bordão de peregrina e uma bolsa que o arcebispo de S. Tiago de Galiza ofereceu à Rainha Santa quando ela visitou esta cidade,{14} sendo em seguida fechado o tumulo com a pesada pedra que ainda hoje o cobre e na qual vemos representada a figura da Rainha Santa com habito de freira.
Assim se conservou até ao dia 26 de Março de 1612, 276 anos depois da sua morte, dia em que foi aberto por consentimento do Sumo Pontifice.
(Fig. 1)
Esta cerimonia, que se tornou necessaria para se proceder ao processo de canonização de D. Isabel, foi presidida pelo Bispo de Coimbra D. Afonso de Castelo Branco, e tendo como assistentes D. Martim Afonso, Bispo de Leiria, Dr. Francisco Vaz Pinto, dois medicos, um cirurgião e algumas testemunhas a quem foi confiado o encargo de examinarem os restos mortais da Rainha Santa.
Pedimos licença para trasladar para aqui o relato que sobre esta cerimónia encontramos no autorizado{15} livrinho—Historia Popular da Rainha Santa Isabel—Protectora de Coimbra.........