XIII
Escolhem d'entre a turda in-continente
Um quidam consid'rado dos mais doutos,
Que occupando o logar de presidente
Ao sentar-se salvou com tres arrotos;
E com voz mal toada, intermittente,
Vae fallando, e cuspindo perdigotos;
Assim impertigado estende a mão:
«Eu abro, meus senhores, a sessão.»
XIV
E logo sobre um banco alevantado
Um homem vocifera, gesticula,
Os ministros ataca, e de zangado,
Em verrina, que mais descamba em chula,
Invectiva o imposto, e o tratado
Que aprovára das côrtes a matula.
—Embora, oh! patria minha, luctes, arques;
Não consintas vender Lourenço Marques!
XV
«São justas nossas queixas, continua
O fogoso orador: heis de soffrer
Um inepto governo, que pactua
Co'a deshonra, e que falta ao seu dever?
Que batalhas campaes dá pela rua
Acutilando o povo a seu prazer?
Abaixo ministerio tão funesto!
Assignae, cidadãos, este protesto.»
XVI
E logo se empoleira outro orador
Compondo o rosto alvar; e ancho de si
Exclama com prosapia:—«Salvador
Do rei, da patria, affirmo agora aqui,
Que só o meu partido bemfeitor
Vos trará f'licidade… Potosi
É seu, e tem credito bastante
P'ra sair, d'esta crise, triumphante.»
XVII
«Sou regenerador, eu digo-o ufano;
O bem do povo é sempre o nosso alvo;
Aborreço o governo que é tyranno.
Dos tributos, pranchadas sereis salvo;
Quem comigo votar não tema engano.»
Mas n'isto berra alguem:—«Oh seu papalvo,
Já todos conhecemos vossas manhas:
O povo não engole taes patranhas.»