Quiçá cedo é, para diffundir a vontade de reformas: seja; que o não é: quem acampa nos arraiaes longinquos e desertos do futuro, e o aguarda sereno e firme na sua fé, tem uma nobre missão:—a de abrir e esclarecer, sentinella do porvir, a estrada da nova era; que outros, vagarosos, de prudentes, só mais tarde pisarão.

Não é tarde; que o mundo foge no infinito do espaço e caminha direito ás regiões encobertas do futuro; e, quando o seculo aperta o passo, não ha face de verdadeiro democrata, que deva pejar-se de o acompanhar n'este caminhar providencial.

Se é sonho, a sonhar por sonhar mais val, como diz Pelletan, o sonho{39} que diz a tudo quanto soffre cá na terra:

—Levanta-te, e espera! do que o que lhe repete:—Soffre, que para o teu mal não ha salvação nem lenitivo!

FELICIDADE PELA AGRICULTURA

POR

Antonio Feliciano de Castillo

Da terra saímos; á terra volvemos:
A terra nos veste, nos traz, nos mantem.
Quem mais do que a terra merece os extremos,
Que obtem dos bons filhos a próvida mãe?

A. F. de Castilho

I

Eis agora aqui um livro, que, em meio da geral fermentação de tumultuosas paixões e ambições immoderadas que agitam as nossas modernas sociedades;{40} em meio d'este lamentavel estado de geral descontentamento e desgosto de que todos mais ou menos somos victimas; quando, segundo judiciosamente observa Aimé Martin, o artista descrê da arte, o padre de Deus, o mancebo do futuro, e até a mulher do amor, e nem um só tem o menor vislumbre de esperança na felicidade com que ainda póde topar no estado que lhe deparou a providencia; eis agora—digo eu—um livro que, em meio de tudo isto, nos promette essa almejada felicidade, que nos aponta o como a poderemos alcançar, que o prova—e o que mais é—não fala em referencia aos grandes, aos poderosos, aos que por si tem todos os dons da fortuna, mas ao pobre, ao desvalido, ao que chora e soffre em meio das trevas da ignorancia, da miseria, quasi, direi, da servidão.