As estrellas, que guardam a manhã,
Ao verem-me passar triste e calado,
Olhavam-me e dixiam com cuidado:
Onde está, pobre amigo, a nossa irmã?
Mas eu baixava os olhos, receoso
Que trahissem as grandes magoas minhas,
E passava furtivo e silencioso,
Nem ousava contar-lhes, ás estrellas,
Contar ás tuas puras irmansinhas
Quanto és falsa, meu bem, e indigna d'ellas!
AMARITUDO
Só por ti, astro ainda e sempre occulto,
Sombra do Amor e sonho da Verdade,
Divago eu pelo mundo e em anciedade
Meu proprio coração em mim sepulto.
De templo em templo, em vão, levo o meu culto,
Levo as flores d'uma intima piedade.
Vejo os votos da minha mocidade
Receberem sómente escarneo e insulto.
Á beira do caminho me assentei…
Escutarei passar o agreste vento,
Exclamando: assim passe quando amei!—
Oh minh'alma, que creste na virtude!
O que será velhice e desalento,
Se isto se chama aurora e juventude?
ABNEGAÇÃO
Chovam lyrios e rosas no teu collo!
Chovam hymnos de gloria na tua alma!
Hymnos de gloria e adoração e calma,
Meu amor, minha pomba e meu consolo!