Canta a luz, a alvorada, a estrella santa,
Que ao mundo traz piedosa mais um dia…
Canta o enlevo das cousas, a alegria
Que as penetra de amor e as alevanta…
Mas, de repente, um vento humido e frio
Sopra sobre o meu sonho: um calafrio
Me accorda.—A noite é negra e muda: a dor
Cá vela, como d'antes, ao meu lado…
Os meus cantos de luz, anjo adorado,
São sonho só, e sonho o meu amor!
MÃE…
Mãe—que adormente este viver dorido,
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas ate o fio
Do meu pobre existir, meio partido…
Que me leve comsigo, adormecido,
Ao passar pelo sitio mais sombrio…
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido…
Eu dava o meu orgulho de homem—dava
Minha esteril sciencia, sem receio,
E em debil criancinha me tornava.
Descuidada, feliz, docil tambem,
Se eu podesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!
Na capella
Na capella, perdida entre a folhagem,
O Christo, lá no fundo, agonisava…
Oh! como intimamente se casava
Com minha dor a dor d'aquella imagem!