Não chamo a Deus tyranno, nem me queixo,
Nem chamo ao céo da vida noite fria;
Não chamo á existencia hora sombria;
Acaso, á ordem; nem á lei desleixo.

A Natureza é minha mãe ainda…
É minha mãe… Ah, se eu á face linda
Não sei sorrir: se estou desesperado;

Se nada ha que me aqueça esta frieza;
Se estou cheio de fel e de tristeza…
É de crer que só eu seja o culpado!

O Palacio da Ventura

Sonho que sou um cavalleiro andante.
Por desertos, por sóes, por noite escura,
Paladino do amor, busco anhelante
O palacio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exhausto e vacillante.
Quebrada a espada já, roda a armadura…
E eis que subito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aerea formosura!

Com grandes golpes bato á porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Desherdado…
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silencio e escuridão—e nada mais!

JURA

Pelas rugas da fronte que medita…
Pelo olhar que interroga—e não vê nada…
Pela miseria e pela mão gelada
Que apaga a estrella que nossa alma fita…