Pelo estertor da chama que crepita
No ultimo arranco d'uma luz minguada…
Pelo grito feroz da abandonada
Que um momento de amante fez maldita…

Por quanto ha de fatal, que quanto ha mixto
De sombra e de pavor sob uma lousa…
Oh pomba meiga, pomba de esperança!

Eu t'o juro, menina, tenho visto
Cousas terriveis—mas jamais vi cousa
Mais feroz do que um riso de criança!

IDEAL

Aquella, que eu adoro, não é feita
De lyrios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas languidas, divinas
Da antiga Venus de cintura estreita…

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortaes entre ruinas,
Nem a Amazona, que se agarra ás crinas
D'um corcel e combate satisfeita…

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino…

É como uma miragem, que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpavel do Desejo…

Emquanto outros combatem

Empunhasse eu a espada dos valentes!
Impellisse-me a acção, embriagado,
Por esses campos onde a Morte e o Fado
Dão a lei aos reis tremulos e ás gentes!