Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel
deveza, Do que emballar-te a Fada da Belleza,
Como emballou, no berço da Illusão!
Mais valera á tua alma visionaria
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba varia,
(Sem ver uma só flor, das mil, que amaste)
Com odio e raiva e dor… que ter sonhado
Os sonhos ideaes que tu sonhaste!»—
Sepultura romantica
Ali, onde o mar quebra, n'um cachão
Rugidor e monotono, e os ventos
Erguem pelo areal os seus lamentos,
Ali se ha-de enterrar meu coração.
Queimem-no os sóes da adusta solidão
Na fornalha do estio, em dias lentos;
Depois, no inverno, os sopros violentos
Lhe revolvam em torno o arido chão…
Até que se desfaça e, já tornado
Em impalpavel pó, seja levado
Nos turbilhões que o vento levantar…
Com suas luctas, seu cançado anceio,
Seu louco amor, dissolva-se no seio
D'esse infecundo, d'esse amargo mar!
1864—1874