III
Força é pois ir buscar outro caminho!
Lançar o arco de outra nova ponte
Por onde a alma passe—e um alto monte
Aonde se abre á luz o nosso ninho.
Se nos negam aqui o pão e o vinho,
Avante! é largo, immenso esse horizonte…
Não, não se fecha o mundo! e além, defronte,
E em toda a parte ha luz, vida e carinho!
Avante! os mortos ficarão sepultos…
Mas os vivos que sigam, sacudindo
Como o pó da estrada os velhos cultos!
Doce e brando era o seio de Jesus…
Que importa? havemos de passar, seguindo,
Se além do seio d'elle houver mais luz!
IV
Conquista pois sósinho o teu futuro,
Já que os celestes guias te hão deixado,
Sobre uma terra ignota abandonado,
Homem—proscrito rei—mendigo escuro!
Se não tens que esperar do céo (tão puro,
Mas tão cruel!) e o coração magoado
Sentes já de illusões desenganado,
Das illusões do antigo amor perjuro:
Ergue-te, então, na magestade estoica
D'uma vontade solitaria e altiva,
N'um esforço supremo de alma heroica!
Faze um templo dos muros da cadeia,
Prendendo a immensidade eterna e viva
No circulo de luz da tua Idea!