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O Abysmo
—Escravo, mas heroe—chorava mudo…
E engulia os soluços.
Despojado,
Que lhe havia elle dar?

Os outros riam.

* * * * *

Oh! a belleza é cruel! A altura é fria!
E impiedosa e feroz! A ave aérea
Não tem dó do insecto! A virgem branca
Pisa o negro reptil! o louro infante
Crucifica o morcêgo! Os astros de ouro
Viram a Terra assim… e não choraram!

* * * * *

Um riso louco, então, feito de raios
Infinitos de luz, encheu o espaço!
O giro das espheras cambaleava
E estorcia-se, doido, em grandes frouxos
De hilaridade e brilho! E o écco eterno
Que em vez de voz, repete os esplendores,
Confuso co'as mil ondas tumultuosas
Parecia tempestade de harmonia.

Todo o céo se inclinava, incendiado
N'uma aurora boreal prodigiosa,
Vendo o truão horrivel do infinito!

* * * * *

Foi então que o Abysmo, o triste escravo
Dos senhores da luz—partido, oppresso
Co'a immensa dôr d'aquelle rir,—não pôde
Suster-se mais.