Oh, gotta de piedade, que adoçaste
Aquelle oceano de injustiça! Oh, lagrima
Teda feita de bem!… Bebeu-te o Abysmo!
* * * * *
E a Terra informe viu.
Como o silencio
De algum poço—que o fundo das montanhas
Guarda velado pela treva—pode
Ouvir, cheio de horror, o écco primeiro
De uma pedra descendo: como o centro
Da mina pode vêr o alvião primeiro
Que a abre de par em par,—assim a Terra
Viu a coisa sem nome que descia
Pelo infinito abaixo.
* * * * *
Olhou transida.
Era uma Mão—que parecia treva,
Tanto brilhava! E vinha-se alongando
Com cinco dedos—cinco continentes
De luz—fixa, sem côr, indefinivel,
Leviathan de brilho, pelo ether
Descia—e as ondas de harmonia erguiam-se
Como em tormenta de espleddor—horrivel…
Tanto era bello!
Ao longe, ao longe, ao longe,
'Té aonde a visão abre os espaços,
A orla do infinito radiava.
* * * * *
E cada sol, e cada estrella, vendo
Aquella Mão descer, dizia—Certo
Que me vem afagar!—E estremecia.
E a Mão passou em face das estrellas…
Mas não as viu.—Passou o grande côro
Dos sóes… e não os viu.—A via-lactea…
E não a viu.—E foi seguindo ávante.