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Lá onde o escuro é tanto que suffoca
O tempo, no nevoeiro esquecimento,
Onde em vaga fronteira se confundem
O sêr e o não sêr—lá para o extremo,
É onde a Mão já ía…
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E os grandes astros,
De sol em sol, de um horisonte ao outro,
Inquietos, através do ether immenso,
Lançavam vozes de ouro, perguntando
«Onde vae o Senhor?»
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E a Mão descia.
Já não havia mais. Tinha chegado
Por defronte da Terra. E n'essa hora
Dois infinitos—um de horror, e o outro
Infinito esplendor, se contemplaram.
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E os astros de ouro pelo céo disseram: «Eis que Deus vae brincar tambem co'a Terra!» E a Mão estava.
E a Terra negra olhava-a,
Como um selvagem um espelho; o susto
Co'o prazer inefavel combatiam-se
Lá dentro… e a massa informe estremecia.