Tambem ca tem a terra seus primores;
Pelos vales as fontes rumorejam;
Tem a noute seus sopros, que a bafejam,
E o ceu tem sua luz e seus ardores.

Em toda a natureza ha amor e cantos,
Em toda a natureza Deus se encerra…
E comtudo esta é a causa de meus prantos!

Eu sou bem como a flor que não descerra
Em clima alheio. Que importam teus encantos?
Não és, terra do exilio, a minha terra!

V.

A Alberto Telles.

Só!—Ao ermita sosinho na montanha
Visita-o Deus e dá-lhe confiança:
O nauta, que o tufão aos polos lança,
Ainda espera um sopro que o ceu tenha!

Só!—Mas quem se assenta em riba estranha,
Longe dos seus, lá tem inda a lembrança:
E inda no peito deixa Deus a esprança
A quem á noute chora em erma penha.

Só!—Não o é quem possue na terra um laço
—Um que seja—que o prenda a este fadario,
Uma crença, uma esprança… e inda um cuidado.

Mas cruzar—indifrente—inertes braços,
Mas passar—entre turbas—solitario,
Isto é ser só, é ser abandonado.

VI.