A Santos Valente.
Estreita é do prazer na vida a taça:
Largo, como o oceano é largo e fundo,
E, como ele, em venturas infecundo,
O calis amargoso da desgraça.
E comtudo nossa alma, quando passa
No pregrinar da vida pelo mundo,
Prazer só pede á vida, amor fecundo,
Com esta unica esprança só se abraça.
É lei de Deus este aspirar imenso…
E comtudo a ilusão impoz á vida,
E manda buscar luz, e dá-nos treva!
Ah! se Deus acendeu um fóco intenso
D'amor e dor em nós, na ardente lida,
Por que a miragem cria… ou por que a leva?
VII.
A Florido Telles.
Quando comparo gloria ou ouro ou fama
—Venturas que em si tem oculto o dano—
Com aquele outro afeto soberano,
Que amor se diz e é luz de pura chama,
Vejo que são bem como arteira dama
Que sob o honesto riso, esconde o engano,
E quem as segue como esse que ufano,
Por ir traz do prazer, deixa quem o ama.
Do orgulho vem aquele estranho goso
E a gloria d'ele só nos vem do orgulho,
Por que só na vaidade tem a palma: