Vem o alivio animar peito magoado;
Corre o forte a buscar na morte a gloria;
Desfeita do viver sombra ilusoria,
Foge o espirito livre ao ceu anciado;
Tudo busca quem o ama: a luz dourada
Busca do seu viver, como no escuro
Quem avista uma luz lhe vai ao encontro.
Só tu, ventura! uma vez sonhada;
Só tu, sombra d'amor! que em vão procuro,
Só tu, foges de mim, só não te encontro!
XVIII.
Ignoto Deo.
Espremos no Senhor! Ele ha tornado
Em suas mãos a massa inerte e fria
Da materia impotente e n'um só dia,
Luz, movimento, ação, tudo lhe ha dado.
Ele ao que é pobre d'alma ha tributado
Carinho e amor; Ele conduz á via
Segura quem lhe foge e se extravia,
Quem um momento só não o ha lembrado.
E a mim, que aspiro a Ele, a mim que o amo,
Que tenho vida em mim, que anceio o brilho,
Hade negar-me o termo d'este anceio?
Buscou quem o não quiz; é a mim, que o chamo,
Hade fugir-me, como a ingrato filho?
Oh Deus! Senhor! meu Pae! espero! eu creio!