Comtudo essas partes são homogeneas, como homogeneos são os ramos que se ajuntam n'um tronco commum: é como se um pintor estudasse uma cabeça—ora de perfil, depois de face, o olhar, o rir, o labio, a fronte, tudo por sua vez, e ultimamente então fizesse o retrato.
Assim, pois, a forma deve ser tãobem uma só; talhada de uma unica peça; da mesma natureza; mas que comece por cobrir bem cada parte, e depois cubrao todo e o envolva.
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E que ha no soneto? Uma unidade perfeita: desenha-se cada idea parcial de per si, mas não tão independente das outras que não haja entre elas relação, até que a final, juntando tudo n'um só se apresenta por todos os lados simultaneamente, como em resumo, o fecho—chave d'ouro!—
Daí, unidade. E simplicidade? Toda: as partes conservão estreito laço entre si: é só um sentimento, só uma a idea; não são varias, mas varios lados: a unidade final funde-os n'um todo.
Resumindo;
O sentimento desenha-se de perfil, aos poucos, gradualmente;
A forma acompanha essa evolução: segue-o em cada manifestação parcial.
Desenha-se, por fim, todo e forma-se d'ele idea percisa ou, pelo menos, completa;
A forma amolda-se a esta reconstrução, e resume-o igualmente, como que fundindo as partes no todo.