—Santo Deus! Pois isso era motivo para ralhar com a creança? Aqui estou eu a quem, graças a Deus, não falta nada, e no entanto, morro pela minha aldeia...—Toribio! accrescentou D. Joanna, chamando pelo creado dos trocadilhos, dize ao rapazinho, que está no gabinete do senhor, que suba.
—Quem, o rocim-chegado? perguntou o asturiano com um sorriso malicioso.
—Atrevido! exclamaram, a um tempo, D. Joanna e o banqueiro; se tornares a divertir-te á custa d'Angelo, vaes immediatamente para o andar da rua.
O asturiano baixou a cabeça, pouco satisfeito com o exito do seu gracejo, e um instante depois subia com o pequeno.
Angelo saudou D. Joanna com bastante desembaraço, e depois que ella lhe chegou um prato de bolos, acabou de perder todo o seu acanhamento, e respondeu com vivacidade ás mil perguntas que por largo espaço de tempo lhe dirigiram os dois esposos.
—Tens muitas saudades de tua mãe? lhe perguntou D. Joanna.
—Muitissimas, respondeu o pequeno.
—Pois, se fôres bom rapaz, hei-de estimar-te e cuidar tanto de ti, como se fôra ella propria.
—Muito obrigado, minha senhora!... disse o menino; e arrazaram-se-lhe os olhos de lagrimas... lagrimas d'alegria e de agradecimento.
O banqueiro e sua mulher levantaram-se da mesa.