O pequeno bem olhava para todos os lados, a vêr se apparecia a Necessidade, mas não via ninguem. Já cansado de chamar e de esperar pela Necessidade, desatou o arrocho, que prendia o sacco ao apparelho do burro, e alliviou-o da carga; em seguida deu-lhe uma vergastada e o animal ergueu-se d'um salto. Então o pequeno tomou o burro pelo cabresto, levou-o para junto d'uma ribanceira, e rolando o sacco até lá, pôde, a muito custo, collocal-o em cima do animal; apertou-o bem com o arrocho, montou-se sobre a carga, atirou uma pancada ao burro, e proseguiu no seu caminho, mais alegre que umas paschoas.

Passada uma hora chegava o rapaz ao moínho, cantando e fazendo trotar o seu ginete.

—Olá, pequeno, disse-lhe o pae, apenas o avistou, como te foi pela tua viagem?

—Muito mal, meu pae.

—Então o que te aconteceu, homem?

—Deitou-se o burro no caminho, e, por mais pancadas que lhe dei, não foi capaz de se levantar.

—E então o que fizeste?

—Desprendi a carga, levei o burro para o pé d'uma ribanceira, fui rolando o sacco até lá...

—Bem, bem, já percebo. Quer isso dizer que chamaste pela Necessidade, não é assim?

—Chamei, chamei; fartei-me até de chamar; mas não appareceu...