«—Onde vae o senhor? perguntou o porteiro, detendo-me por uma orelha.

«—Homem, o senhor deve estar farto de o saber! Vou para o ceu.

«—É casado ou solteiro?

«—Casado duas vezes á falta d'uma.

«—Duas vezes?!

«—Sim, senhor, duas vezes.

«—Pois vá para as profundas do inferno, que tolos d'esse lóte não têm entrada no ceu.

«E aqui vou eu, amigo Paciencia, caminho do inferno! São coisas que só a mim acontecem!...»

—É bem feito, disse o tio Paciencia, entre compadecido e indignado da parvoice do seu amigo. Não te dizia eu que não podia obter perdão de Deus quem duas vezes se casasse?

O tio Paciencia já não ia muito satisfeito e tranquillo, ao aproximar-se das portas do ceu, porque as noticias que recebera do geniosinho do tal porteiro, eram, na verdade, para intimidar o mais pintado.