—O senhor não tem senão desculpar... mas... nada... eu... vinha vêr se o senhor me deixaria entrar.
—Sente-se ahi, n'esse banco, e espere que venha mais gente, que não se póde andar sempre a abrir e a fechar esse maldito portão, que é mais pesado que um marido jogador.
—Está bem, senhor, essa é boa; faça favor de perdoar.
—Não ha de quê.
O velhote fechou o postigo, e o tio Paciencia, a quem as ultimas palavras, que ouvíra, deram alma nova, sentou-se n'um banco, e começou o seguinte soliloquio, para passar o tempo:
—O tal senhor porteiro é realmente um grande caturra. Quem diabo podia suppôr que o homem se esquentaria por eu o cumprimentar como Deus manda! Mas apesar de ter o genio um tanto assomado, bem se conhece que é um santo. Pois, senhor, esperemos aqui, no banco da paciencia.
Estava o tio Paciencia entretido a apertar um cigarro, quando, ouvindo uma tremenda aldabrada na porta, que por pouco a fazia em hastilhas, ergueu a cabeça, e viu então que a pessoa, que com tanta arrogancia chamava, era nem mais, nem menos, que o seu visinho marquez.
—É melhor bater com a cabeça! gritou de dentro o porteiro, ao ouvir aquelle barulho. Quem é o bruto que chama assim?
—O excellentissimo senhor marquez de Pelusilla, grande d'Hespanha de primeira classe, cavalleiro de todas as ordens creadas e por crear, senador do reino, etc., etc.
Mal isto ouviu, o porteiro abriu de par em par a porta, quebrando pelo espinhaço com muitas reverencias, e exclamando: