Afinal appareceram os christãos, que, com suas justas e torneios, e o seu porte cheio de garbo e gentileza, sabiam encantar o coração das donzellas.

—Então, em qual das tres religiões escolhe V. M. marido? perguntou o presidente do conselho de ministros á rainha.

—Homem, nem sei o que te diga, respondeu a rainha. Bem se diz que quem tem que escolher tem que fazer. Se queres que te falle verdade, gosto de todos.

—Vamos, mas V. M. precisa decidir-se por um.

—Asseguro-te que sinto realmente devéras não poder decidir-me, sequer ao menos, por tres. Olha, que entre os christãos ha alguns rapazes bem guapos!... mas entre os judeus e os moiros... não te digo nada!...

—Em summa, disse o presidente do conselho, isto não é sangria desatada; deixe-os V. M. penar, uns e outros, por espaço d'alguns mezes, e depois, então, poderá V. M. escolher, com perfeito conhecimento de causa; isto de escolha de marido é, para as raparigas, operação muito delicada...

O presidente do conselho teve a honra de que S. M. seguisse o seu parecer, e christãos, mahometanos e judeus, continuarem a fazer as suas zumbaias á real moça, cuja mão ambicionavam.

Chegou noticia a Roma do que se passava nas Indias, e o Padre Santo ordenou que se fizessem preces, para que Deus inspirasse a rainha afim de que casasse com um christão, coisa que redundaria em gloria e augmento da christandade.

Havia n'aquelle tempo em Roma um Preste ou sacerdote, ainda moço, conhecido pelo nome de Preste João, o qual era a admiração de toda a gente, em rasão do seu saber e virtudes, zelo religioso e galhardia.

O Preste João apresentou-se ao Padre Santo, e disse-lhe: