TERCEIRA PARTE

CARTEIRA DE UM PHANTHASISTA

*ANTES DE ABRIR A CARTEIRA*

Aqui leitor socegado!
Velho burguez d'outras eras!
Depõe o livro de lado;
—Não leias estas chimeras!

Não corras esta carteira
Meu velho amigo sem dentes!
Em quanto geme a chaleira
Sonha em teus mortos parentes!

Mas vós amigos dos sonhos
Doces mysticas violetas,
Castos selvagens tristonhos,
E solitarios poetas!…

Que amais as tristes paysaygens
E as cousas mysteriosas,
A longa chuva, as viagens,
E as melodias nervosas.

Nas longas noutes d'outono
Que o vento varre a poeira,
E a chuva bate—sem somno!—
Folheae esta carteira!

*A NOUTE DO NOIVADO*

O primeiro conviva, em punho a taça,
Ergueu-se lentamente, e com voz rouca,
Bradou: Amigos! consenti que faça
Uma saude á Morte—a velha louca!