A minha historia é triste e muito pouca!
Eu como vós, sou filho da desgraça,
Amei uma só vez. Que mimo e graça!
Oh que pé andaluz! que olhar, que boca!

Na noute do noivado—ouvi, devassos!
Beijei-a doudamente entre meus braços,
E atirei-a no mar, tremula e nua!

Ninguem não mais a gosará um dia!
Repousa ali a minha noiva fria,
Guardada pelo olhar frio da lua!

*A TORTURA DAS CHIMERAS*

Les édifices eloquentes…
Balzac

Quantas vezes, nas noutes pluviosas,
Ou nas limpidas noutes estrelladas,
Como espectros de espinhos e de rosas—
Erguem-se em nós as cousas apagadas!

Que vezes, n'esta vida positiva,
—N'esta comedia lugubre moderna—
Se eleva a outra esphera nobre e viva
Nossa alma mais poetica, mais terna!

Os contornos das cousas despresadas,
Um fundo triste, um muro, umas ruinas
Um mosteiro, um luar—nas almas finas
São como umas celestes madrugadas.

Quem não terá jamais sentido um dia
As gostosas torturas do mysterio
Surgindo, ao fundo, a mystica elegia
D'um nevado luar n'um cemiterio!

Sim, nestes climas lucidos do Sul,
Tão propenso ás visões sentimentaes
E ás chimeras—quem não terá jámais
Tido a cruel melancholia azul?