Havia extinto em mim as ultimas scentelhas;—
Julgava achar-me só n'aquelle phrenesim,
Não sentia pungir as minhas magoas velhas,
Feliz! muito feliz!—ah! descansava emfim!
Repousava a final da pallida batalha,
Espalhava-se em mim o grande esquecimento;
Cuidava achar-me emfim cingido da mortalha,
Ou minhas cinzas já dispersas pelo vento.
Quando um d'elles então—n'uma ironia rude,
E erguendo-se de pé, na vasta confusão,
Com um rir bestial ergueu uma saude
—Áquella que tornou-me em cinza o coração!…
……………………………………
—Ah! seu nome cruel, de subito lembrado,
De novo reabriu todas as minhas magoas!
E desfeito, de pé, senti-me transmudado,
Como um morto trazido á praia pelas aguas!
E como o morto errante ás luas silenciosas,
Ao vento, aos temporaes, ás algas das marés,
Trazendo inda a visão das noutes tempestuosas,
—Todos calou o horror da minha pallidez.
E em lagrimas bradei, então:—Ó Infelizes!
Imbecis! histriões! heroes do Soffrimento!
Como haveis de fechar as vossas cicatrizes,
—Se nem aqui deixaes matar o pensamento?!
*O VISIONARIO ou Som e Côr*
(A Eça De Queiroz)
Eu tenho ouvido as simphonias das plantas.